14 dezembro, 2009

Vovó Geny

Deixa que isso não é caso de fazer alarde, deixa que isso não é caso para magoas. Fecho meus olhos e volto pequenina ao colo de minha avó. O colo era a certeza, conforto e luxo de menina. Minha avó era o meu pequeno porto, minha paisagem de fim de semana. Carisma minha avó tinha, tinha também jardim e um cabelo bem ralinho. Quando vovó ficou doente eu só pensava que deixando de rezar ela morreria, eu devo ter me distraído em algum momento. Tem dias como esse que sua ausência se torna quase palpável e eu rezo em segredo para tê-la em meus sonhos. Em dias como o de hoje seu colo seria refugio, sua palavra seria aconchego e a saudade não seria uma palavra tão dolente.
Ana Fenner

Vazio

Perdoe-me essas lágrimas que desabam assim tão audaciosas. Perdoe-me estas mãos que tremem tão desmedidas. Dentro de mim chove fininho e aqui fora tem um sol que não me aquece. Sou tão pequena diante do mundo, sou tão menina diante de você. Meus passos se perdem de mim e eu de susto fecho os olhos, podia ser eu uma criança. Podia ser eu qualquer coisa de inaudível, assim meu choro não corromperia tua armadura. Deixe-me ficar cinco minutos mais nesse que foi outrora o lugar de minhas euforias, deixe me descansar um pouco mais nesse que antes se parecia tanto com meu lar. Veja, minhas lembranças estão em cada pedacinho, estão no ladrinho quebrado, na panela furada, estão andando por ai descalço. Descalço de mim sigo sem rumo.
Ana Fenner

13 dezembro, 2009

Não sei Dançar



Às vezes eu quero chorar
Mas o dia nasce e eu
esqueço
Meus olhos se escondem
Onde explodem paixões...

E tudo
que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar
Ou outra coisa prá
lembrar...

Às vezes eu quero demais
E eu nunca sei
Se eu mereço
Os quartos escuros
Pulsam!
E pedem por nós...

E tudo que eu
posso te dar
É solidão com vista pro mar
Ou outra coisa prá lembrar
Se você quiser
Eu posso tentar
Massss!...

Eu não sei dançar
Tão devagar
Prá te acompanhar...(final 3x)

Eu não sei dançar
Tão devagar
Prá te acompanhar
Prá te acompanhar...

Alvin L.

08 dezembro, 2009

Não ao Ato Médico



A LEI DO ATO MÉDICO estabelece que caberia aos médicos o direito de realizar o diagnóstico das doenças (nosológico) e a prescrição terapêutica (tipo de tratamento). Para adquirir as habilidades e competências para fazer o diagnóstico e as respectivas prescrições terapêuticas nas 13 áreas das profissões regulamentadas, os médicos teriam que estudar no mínimo mais 50 anos. Assim, ao delegar aos médicos o exercício de atos privativos para os quais eles não possuem treinamento, o Estado coloca em risco a saúde da população e engessa o desenvolvimento das profissões da saúde.

Para votar contra ai esta o link:

06 dezembro, 2009

Música

Há música para cada instante vivido. Há músicas para momentos tristes, outras que inspiram confiança, tem aquelas que nos invadem em um domingo azul e aquelas para namorar. Tem músicas que ele me tira para dançar, tem músicas que ele me deixa no canto. Se fosse escolher uma voz para cantar este meu instante seria Maria Gadú:


Ser capitã desse mundo
Poder rodar sem fronteiras
Viver um ano em segundos
Não achar sonhos besteira
Me encantar com um livro, que fala sobre
vaidade

Quando mentir for preciso, falar a verdade

03 dezembro, 2009

O Amor Não Tem Idade

Ela uma jovem senhora de 77 anos, ele um senhor de 65. Conheceram-se não faz muito tempo e vai saber porque se encantaram, nada de paixões arrebatadoras, dessas que dissimulam, iludem, provocam febres e desorientam. Não meus senhores, eu falo aqui de afeto, destes que chegam manso e inundam a alma. Eles (por favor, não se espantem) eles se casam agora dia 11 e se casam porque amam. O amor é flor silvestre a beira de um rio só esperando e ele não reconhece raça, não se envolve com números e não se importa em que faze da vida vai florescer. Ele é flor silvestre que floresce e quando se vê já é ele todo um jardim perfumando almas, lapidando corações e ganhando o mundo.
Ana Fenner

Foi Deus quem fez você

A música fala por si só:

Foi Deus que fez o céu, o rancho das estrelas
Fez também o seresteiro para conversar com elas
Fez a lua que prateia minha estrada de sorrisos
E a serpente que expulsou mais de um milhão do paraíso
Foi Deus quem fez você
Foi Deus que fez o amor
Fez nascer a eternidade num momento de carinho
Fez até o anonimato dos afetos escondidos
E a saudade dos amores que já foram destruídos
Foi Deus Foi Deus que fez o vento
Que sopra os teus cabelos
Foi Deus quem fez o orvalho
Que molha o teu olhar, teu olhar
Foi Deus que fez as noites
E o violão planjente
Foi Deus que fez a gente
Somente para amar, só para amar


Menina do Céu

27 novembro, 2009

Hoje

O amanhã é mistério, o amanhã é um doce segredo. Meus desejos me absorvem, ser hoje é o que me consome.
Ana Fenner

Feliz


Eu sou de uma felicidade escancarada, que não se envergonha pela evidência. Sou de um riso aberto, de uma veracidade irritante e um sentimentalismo incurável. Sou a menina doce e cativante, a mulher fria e por vezes irritante. Sou de uma paixão mordaz, de um amor que não reconhece limites. Sou o defeito, o erro e o medo. Sou as lágrimas que me fogem, sou a neurótica em dias de TPM, a insegura nos braços do desconhecido, sou minha e sou tua se assim for minha vontade. Sou tantas e não sou nenhuma, mas levo comigo a felicidade e que venham os próximos 24 anos e se acaso não puder tê-los guardo a certeza de que estes valeram imensamente à pena.
Ana Fenner

19 novembro, 2009

Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim pesa,
Pondera
Outra parte, delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem
Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida ou de morte
Será arte?
Será arte?
Ferreira Gullar