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26 novembro, 2010

"Toda Felicidade que hover nesse mundo"

Estou em plena festa.  Estou comemorando cada pequeno passo, cada grande vitória. Estou comemorando os amores que tive, os amigos que fiz. Estou comemorando a capacidade de reciclagem, a capacidade de amar e de recomeçar.  Estou festejando a família que tenho, a fé que me alimenta. Mas se acaso nada disso for suficiente, diga apenas que estou comemorando aquilo que há de mais divino: a vida.
Ana Fenner

04 novembro, 2010

"Camaleoa"

Um dia pensei que escrevendo não esqueceria, que se fotografasse o suficiente prenderia o momento e todas as sua emoções.  Tolice. Todas aquelas palavras e imagens não revelam em nada o que sou, dizem respeito à pessoa que fui a um segundo atrás, mas ainda assim uma completa estranha. Sou dessa inconstância de camaleão, nunca me repito.
Ana Fenner

02 outubro, 2010

Por Entre Estrelas

Eu preciso escrever. Preciso escrever como uma atividade vital para o entendimento, a reconciliação, o desaguar de uma nascente em um rio que só eu conheço. Não estou oferecendo nada ao escrever, tão pouco estou pedindo ou estabelecendo qualquer juízo.  O que escrevo se esvai de mim no exato momento em que escrevo, não me reconheço em nada do que ficou no papel. Estou em um lugar que me lembra minha própria infância, estou finalmente de volta a algum lugar que me acolhe, que é abrigo. Aqui estou em paz com aquilo que sou, com o que sinto, com o que anseio do mundo. Veja você quantas voltas eu tive que dar para chegar a algum lugar, veja quantos amigos perdi, quantas ruas desertas andei e no fim descubro um jeito muito especial de me conhecer, de me amar. Não, eu não vou levantar bandeira alguma, não vou defender nenhuma revolução, nem passar receita sobre nada. O caminho de cada pessoa é único, de nada me valeu as bulas que me deram para ler, o efeito colateral foi muito maior que o esperado e só eu sei o quanto me custou a cura. Observo através de uma estrela a estranha alquimia que rege a vida e me sinto tocada pela paz. Me ocorre agora  que talvez eu só escreva para ser capaz de ver através de estrelas...Eu preciso escrever.
Ana Fenner

08 maio, 2010

Contramão

Desafino
Minha alma não reconhece as notas, toca por instinto. Meu corpo desequilibra em meio à dança, juram por ai que é molejo. Eu já não canto as avessas nem transbordo em uma esquina qualquer.
Meu ritmo se desnudou entre uma melodia e outra, fiquei entre as linhas da sua imaginação. O salão pede bis, exige um novo passo, me recuso, desacelero...
só reconheço o descompasso.
O meu samba não é de raiz, meu rock não é pop, nossa canção é minha mais pura invenção.
No compasso do cordel minha essência é dançante, sigo a cadência no passo do teu gingado. 
Ana Fenner

13 abril, 2010

Eu mesmo, sim senhor

Adoro tudo que me intriga. Pessoas que despertem em mim a curiosidade me interessam. Sou passional, meus atos antecedem minha reflexão, se é para perder a paciência (e como perco) que seja em meio à explosão, com direito a verbalizar palavras indecorosas. Se é amor que seja intenso, verídico, que seja a todo o momento amor. Não serei hipócrita às vezes minto e não o faço por esporte, é que a gente às vezes mente mesmo. Porém não sou falsa, não me sinto obrigada a revelar tudo que sou. Quando sou honesta, sou honesta e ponto final. Não gosto de batalhas que não são minhas, às vezes me retiro, noutras permaneço. Já perdi a conta do quanto me joguei, do quanto me perdi, tenho meus pecados, quem não os tem? Não choro com facilidade, mas posso chorar sem nenhum motivo aparente ou por todos os motivos que você não entende. Sou leal, às vezes domesticável, noutras impossível de lidar. Sou uma hoje, outra amanhã, mudo constantemente, o que eu não sou é limitada.
Ana Fenner

27 novembro, 2009

Feliz


Eu sou de uma felicidade escancarada, que não se envergonha pela evidência. Sou de um riso aberto, de uma veracidade irritante e um sentimentalismo incurável. Sou a menina doce e cativante, a mulher fria e por vezes irritante. Sou de uma paixão mordaz, de um amor que não reconhece limites. Sou o defeito, o erro e o medo. Sou as lágrimas que me fogem, sou a neurótica em dias de TPM, a insegura nos braços do desconhecido, sou minha e sou tua se assim for minha vontade. Sou tantas e não sou nenhuma, mas levo comigo a felicidade e que venham os próximos 24 anos e se acaso não puder tê-los guardo a certeza de que estes valeram imensamente à pena.
Ana Fenner

26 outubro, 2009

Explosão

Minha escrita é uma luta veemente contra a insanidade (acho tão bonito isso de ser insano, o que me falta é coragem). É uma batalha perdida porque sei que no fim vou acabar de uma forma ou de outra não me ajustando. Minha fuga é do imaginário, é desse ser fantástico que tenho medo, a realidade é tão puramente linda que tento me agarrar a ela. Bobagem isso de dizer que a razão domina, mentir pra quem afinal? Eu gosto de ver as regras serem quebradas, eu gosto de pessoas inusitadas, eu gosto do que é surpreendente. Imprudência e um pouco de explosão.
Ana Fenner

15 setembro, 2009

Da matéria e do ser

Eu sou um coração errante.
Sou coragem e covardia.
Eu sou uma força bruta.
Sou mulher que dança a beira do abismo.
Eu sou verdade e perdição.
Sou carne, osso e sentimentalismo barato.
Conto casos e promovo o caos.
Sou saudades e esquecimento.
Sou a menina descalço e de cabelos longos.
Sou a que bebe por luxo, a que clama por salvação.
Eu sou o que o vento não leva.
Sou giz e sou carvão.
Ana Fenner

04 agosto, 2009

Questão


Tenho passado por esse apetite devastador de viver, como quem não sai do lugar e ainda assim se sente em meio ao turbilhão. Não tenho feito nada do que imaginei que faria quando chegasse à derradeira idade em que loucuras são permitidas. Por verdade absoluta tenho que admitir que ainda seja apaixonada por aqueles veículos de duas rodas, sim as motos, o único risco que andei assumindo e agora também abandono. Abandono por assim dizer todas as minhas paixões, não por altruísmo, mas antes por covardia. A força que tenho esta antes aliada aos medos, sou mesmo capaz de entrar em uma briga de gladiadores e sair vencedora apenas por temor de perder. Confesso que vou me jogar, assim como quem se atira de um prédio e me pergunto se você será capaz de me segurar se por acaso agora quem precisar de um apoio for eu, o ponto é enfim se isso tudo é uma questão de força ou apenas de vontade.
Ana Fenner
"Não deixe de cruzar
O seu olhar com o meu
Eu vou jogar meu
corpo em cima, em cima
do seu..."

17 julho, 2009

Meus


Eu perdi um sorriso natural e contagiante e surpreendentemente conquistei um sorriso verdadeiro e profundo. Não tenho mais o medo de antes, de mergulhar em minhas intensidades, nem de parecer tola aos olhos de outros. Abandonei a guria quase que instantaneamente o autor do apelido se retirou pra uma longa soneca, também passei por uma hibernação de solidão por tempo suficiente para alcançar a lucidez e a um passo de me tornar insana... são muitas as que moram em mim. Mas descubro em fim meu gosto, meus desejos, tão meus que tenho medo de que se desfaçam diante dos meus olhos, quando esse pensamento me vem à cabeça morro de rir da minha tolice, agora que são meus parecem feitos de puro aço.
Ana Fenner

10 junho, 2009

Cronicidade

Sofro de ansiedade crônica. Meu coração adquiriu este descompasso e insiste em bater forte contra a corrente. Minhas tristezas são frutos de devaneios causados por uma mente que insiste em refletir demasiadamente. Minhas mãos não tocam meus pés se o meu joelho estiver esticado, mas minhas mãos alcançam as suas se você quiser seguir comigo. Meus olhos são ótimos e às vezes insisto em perder o foco, porque não quero mesmo ver certas coisas. Se quem eu amo me fere, haverá mil chances a mais e esquecerei quantas vezes forem necessárias. Para os meus erros ( não são poucos) peço uma dose extra de paciência e para minhas neuroses pode haver pulso firme. Não sou difícil assim, só um pouco complexa. Não me faça esperar porque meu tempo é outro, meus desejos são estes e minha vontade vai além do que se vê.
Ana Fenner

05 maio, 2009

Vontade de não ser

Quero Mais é só me visitar...
Esta ai minha verdade vomitada, minha insônia revelada, meus amores inconfessáveis.
Uma manhã imperfeita, saudades intermináveis e uma vontade louca de não ser.
Eis ai minha mentira disfarçada, um segredo a mais já não faz mal.
Tenho cultivado você, como cultivo certas incertezas.
Eu fiquei na estação vendo o trem partir, eu vi tanta coisa partindo em mim.
Eu quero mais é não ser, eu quero mais as futilidades de manhãs ensolaradas.
Não tome meu silêncio como falta, sou de um sentimentalismo bárbaro.
Ana Fenner

09 abril, 2009

Velocidade

Tenho um gosto vulgar, uma fome voraz. Meu amores são fugazes, minhas paixões desmedidas. Meu ciúme fulminante. Tenho em mim uma pressa desigual. Minhas dores são dilacerantes. Minhas lágrimas são meio ácidas. Gosto do que não desperta atenção, do que é desigual. Sou assimétrica, meu olho esquerdo desconhece as visões do olho direito e minhas partes se repartem entre o que julgo ideal e o que sou, entre ser pureza e corrupção.Meus nervos não são feitos de aço, meu coração é órgão involuntário, minhas mãos suam enquanto eu encaro meus desejos, minhas pernas me desobedecem me levando a um caminho nunca imaginado. Eu?? Sou tudo e sou nada. Você?? Exatamente o que faz de si mesmo.
Agora sobre a verdade veja o que seus olhos permitirem.
Ana Fenner

03 março, 2009

O Fantástico Mundo Meu

Gosto de sorvete, mas do que de qualquer comida e é fácil me agradar assim. Não sou do tipo revoltada, nem faço o gênero passiva sou antes uma mistura de aceitações, infantilidades, lembranças, saudades e algumas poucas maturidades. Penso em voar de asa delta,mas nunca me sobra dinheiro, iniciativa e até mesmo vontade.
Sou do tipo que faz tempestades em copo d’água, levo algumas coisas ao pé da letra, depois me refaço e corro atrás do prejuízo.
Ciumenta por natureza e encontro ai minha maior neurose. Não me importo muito se você gosta ou não do meu corpo, aprendi a viver com minha assimetria. Não sou santa nem puta, nem pobre nem rica, não gosto de pessoas convenientes e ás vezes minto por comodidade. Tenho meus vícios, minha manias, minhas imperfeições, já quis mudar o mundo (e continuo querendo rs), já perdi as esperanças e conquistei a fé.
Vou ao cinema com certa freqüência, quase não assisto novelas, adoro escutar músicas, acho teatro um obra de arte,mas amo mesmo é ler. Livros roubam minha atenção e conquistam minha alma.
Admiro rebeldias, quem dá a cara a tapa e vai a luta. Sou feita de sonhos, paixões e desejos.
Eu: imperfeita, incoerente, incógnita e completamente instável
Ana Fenner

02 março, 2009

Mascara's


Costurei retalhos de uma vida, juntei com retalhos deste ultimo ano e chego a incontestável conclusão que sou artista de mim mesmo. Pelo palco me invento, me desmancho e reconstruo. Faço dos espectadores personagens deste filme que vejo em preto e branco e por vezes colorido. Vou jogando o jogo no qual sou apenas peça e me deixo jogar. Vou recriando os cenários, vou refazendo meus personagens prediletos e me esqueço do canhão de luz que parece apontar sempre na direção oposta. Eu armo um escândalo interno pra brigar, mas sou incapaz de desferir uma palavra dura a você, tenho ensaiado falas românticas que engulo com meu orgulho ferido, tento um contra ataque, mas não existe “contra regras” e eu apenas sigo. Vou pisando sutilmente no palco, às vezes ensaio uma revelação, mas minhas máscaras já fazem parte do que sou. Você que vê, enxerga apenas o que deseja, para uns sou santa, pra outros palhaço, já fui a mocinha, protagonista, figurante, puta, ingênua, culpada e vitima. Olho para este palco, olho nos olhos daquele que me vê por minutos em cena e se considera capaz de um julgamento verídico da minha personalidade. Não conheço a mim porque então se julga capaz de me reconhecer? Sou tudo e não sou nada, a mim cabe juntar os retalhos espalhados pelo quarto e fazer com que eles façam algum sentido. E se acaso tiver curiosidade de que sou feita eu mesmo lhe direi: sou feita de papel, aço e ossos. Flexível, forte e quebradiça.
Ana Fenner

01 março, 2009

Novas Paisagens

Eu troquei o salto alto por rasteirinhas. E descobri que assim meus passos são mais ágeis. Eu troquei o conforto da ignorância pelo olhar que se perde nos corredores, corredores sem vida e de janelas com grades. Eu troquei meu medo por um otimismo bárbaro. Eu me fiz de cega por causa do medo que sentia, mas agora mantenho meus olhos abertos a toda novidade que surge diante deles. Substitui minha dificuldade do toque por apertos de mãos desconhecidas e nem sempre limpas. Eu abandonei meus velhos preconceitos por ver que eles de nada me valiam e comecei a seguir um caminho que provavelmente deixará marcas por toda vida. Há estradas irreversíveis, quem um dia olhou jamais se esquece da visão que teve.
Ana Fenner

Sentidos

Meus sentimentos expostos como feridas abertas. Escrevo porque escrever é desaguar, confunde-se quem pensa que sou triste ou melancólica, não o sou. Tenho um sorriso declarado em um rosto que se esconde para expô-lo mais. Todo mundo é triste um dia, algumas pessoas chegam mesmo a ser por alguns meses e tem aqueles que afirmam nunca terem sido de fato felizes, para ser honesta estou convencida que a felicidade plena não é deste mundo, mas ainda assim posso afirmar que a felicidade vive a me espreitar. Exigimos dos outros tempo para nos escutar, paciência para com os nossos defeitos, perdão para nossas falhas e, sobretudo uma “alegria” constante (é chato quem esta triste, quem não é feliz). Veja bem que vivemos na era das altas tecnologias, hoje burrice é algo ignorado já que basta querer e se tem acesso a todo o tipo de conhecimento, veja bem que mesmo assim exigimos dos outros e de nós mesmos algo irreal. Porque não se declarar? Porque usar de subterfúgios para convencer aos outros o quanto somos “legais”? Este é meu espaço, estas são minhas declarações, são meus sentimentos patentes ,mas não é de forma alguma minha face, minha vida, meus sentidos. Não perca seu tempo tentando julgar minha literatura porque de ante-mão lhe digo que é pobre e tola. Não tente desvendar uma alma através de sua escrita, é preciso alma para absorver a essência de outra alma. É preciso ter conhecido o amor para amar.
Ana Fenner

Dos 24

Na verdade quando fazemos aniversário estamos encerrando a idade que dizemos fazer, quando se faz um ano você esta na verdade terminando seu primeiro ano de vida e se preparando para viver o segundo. Seguindo este raciocínio reverso vou criando expectativas sobre como é viver o vigésimo quarto ano. Bem tenho que dizer que durante os vinte e três que é a idade que completei a alguns dias me tornei uma estranha diante do espelho e dos amigos que são talvez o reflexo mais honesto de nós mesmos. Esta estranha não surgiu de repente ela se insinuou discretamente por entre meus gestos e atos, ela se ofereceu com suas olheiras a transformar meu rosto, foi tomando conta de mim, fazendo com que me desencontrasse do que um dia eu fui. Agora festejo com alguns quilinhos a mais tanto na estrutura física como na alma, levo um ar de quem se perdeu, se transformou, perdeu e finalmente se encontrou, quase que nesta ordem. Mostro-me mais mulher agora, com a certeza do que quero , de quem sou e do que fui. Não, não me tornei mais forte, nem mais decidida, me tornei apenas o que sou com falhas e acertos, com ganhos e perdas. E se você nunca perdeu me diz como é que vai achar? Do caos surge a luz.
Ana Fenner