02 janeiro, 2012

Contentamento

Esse ano não fiz promessas, não pulei ondas, nem estourei champanhe a meia noite. Comecei  beijando meu bem querer, numa estradinha de terra batida, pensando “que bom meu Deus, que felicidade pode ser simples assim”.


01 novembro, 2011

Quem é esta estranha, que me encara no espelho do banheiro?
Foi de madrugada, que com espanto, não me reconheci no reflexo esfumaçado do espelho. 
Estaria eu então, vivendo a metamorfose de Kafka ou estaria como H.G., de Clarice, experimentando o absurdo do despertar. Não, não é isso. Foi o estrondoso grito do silêncio, incapaz de acordar toda casa, mas berrando aos meus ouvidos. Foi um baque, um vidro estilhaçado, pedra atirada, o impacto da bala rompendo o ar e me atingindo...não tem volta.
A estranha do banheiro, descumpri as regras e me questiona: e agora?
E agora...agora não tem volta.

13 outubro, 2011

17 abril, 2011

Para ela com carinho

O que a gente precisa é ser valente nessa vida, o que esperam da gente é coragem. Então senta q eu vou te falar de quem sempre tenta uma vez mais, escuta o que tenho pra te dizer dessa gente bonita e do bem. Se acanhe não, que aqui o que importa é o que vem do coração, deixe a tristeza do lado de fora que quero falar de uma moça coragem. Moça sim, que idade não esta no calendário, mas no brilho do olhar. E ela tem aquele brilho no olhar (sabe?),  de gente que já nasceu sabendo ao que veio, de gente que não foge a luta jamais. Eu a conheço desde sempre e isso não é exagero, conheço mesmo desde que nasci, não é parente não seu moço, que parente nunca foi patente de grande serventia. Esta moça é chegada minha, me estende a mão quando vacilo e esta ali para o que der e vier. Mas não é nada disso que eu quero falar, que isso nem carecia de explicação. O que eu quero dizer é que  eu tenho um apreço enorme por ela e que quero que chegue aos ouvidos dela que tem alguém aqui que a ama de um tanto sem tamanho. Esta moça é tão grande em generosidade e afeto que hoje eu acordei disposta a dizer para o mundo que aqui não tem peso de sobrenome não, aqui tem peso é de amizade.

16 abril, 2011

Bilhetinhos Meus

"Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura.
Esses, sim, são os bons.
Eu só escrevo para fazer afagos.
E porque eu tinha que encontrar um jeito de alongar os abraços.
E estreitar distâncias.
Uns escrevem grandes obras.
Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas."
Rita Apoena

12 abril, 2011

Ter me socorrido vai valer

"Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido

Sem as tuas garras sempre tão seguras
Sem o teu fantasma, sem tua moldura
Sem tuas escoras, sem o teu domínio
Sem tuas esporas, sem o teu fascínio
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena já ter te esquecido
Começar de novo..."

07 abril, 2011

Foi ele e não eu


Eu não desisti do amor, foi ele quem desistiu de mim. Saiu sem avisar, teve a delicadeza de não trancar a porta, de modo que posso sair quando quiser ou simplesmente esperar que outra emoção se achegue.  Eu não desisti do amor, foi ele quem desistiu desse abrigo precário que tenho a oferecer. Não disse um até logo, não olhou para trás, nenhuma despedida por menor fosse. Eu não desisti, você é capaz de compreender isso? Eu nunca desisti de nada, a vida é que abortou meus planos, foi ela quem me tirou o que me sustentava e tive que reaprender a andar... sozinha dessa vez.  Foi bom, você segurou minha mão por tempo demais, você segurou a onda por mais tempo que eu poderia pedir a você. Eu vi um amor bonito em você, eu vi ele se sustentar em meio a terrenos inseguros e agora vejo o vazio que ele deixou. Não sinto saudades de você ou do que foi, sinto saudades do que nem chegou a ser. Sinto saudades de um futuro que agora faço sozinha. Eu não desisti do amor, foi você quem desistiu de mim.

26 março, 2011

Valentia

“Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.”

Ana Jácomo

Do outro lado da rua

Não teve quem não visse a menina do outro lado da rua a gritar impropérios. Não teve quem não a julgasse escandalosa, insensata e até um pouco vulgar.
A menina do outro lado da rua a gritar impropérios.
Ninguém ousou lhe perguntar o motivo, ninguém desconfiou da tristeza que ela levava consigo, nem tão pouco, lhe adivinharam as lagrimas. Tive vontade de entrar em sua defesa, era só uma menina ora bolas, era só uma menina a derramar a sua paixão em palavras duras.
Ninguém ali sabia, apenas conjecturavam sobre o amor e suas desmedidas. Ninguém ali ousou dizer àquela menina, que o teu pranto ficaria melhor num samba canção.
ANA FENNER

18 março, 2011

Equilibrista da mais fina estirpe

Equilibrando a fina flor entre os caminhos dessa estrada.


Delicadeza de menina, raízes firmes de mulher, bailarina em um mundo concreto.

É a força da natureza bruta, é a delicadeza dos vendavais, é o eterno ir e vir das marés.

Seguir buscando estrelas, voltar para apanhar pedrinhas luminosas deixadas pelo caminho...

Equilibrista solitária entre ser e sonhar.

Ana Fenner