25 março, 2012

Ama me como no cinema

"É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado.
É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.
Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado.
Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele seja.
Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro.
Difícil é amar quem não está se amando.
Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente."

Ana Jácomo

08 março, 2012

Ser mulher não me basta

Ser mulher não me basta. Quero mais que um dia para celebrar aquilo que sou com unhas, carnes e dentes. Quero não ser lembrada apenas por minha “fragilidade”, mas quem sabe pela minha força que não é bruta, quem sabe por minha ternura que persiste.
Ser mulher não me basta, chega de feminismos que não me convencem, chega dessa igualdade meio tola, quero sim ser diferente.
Quero que você descubra que posso pagar a minha conta, trocar um pneu e consertar o cano da pia, mas quero que uma vez ou outra você faça isso por mim, apenas por afeto. Quero sim flores, porque gosto de flores e isso não me torna inferior. Eu me recuso a ver você bancando o machista, sendo o ditador de um relacionamento por vezes unilateral, quero teu lado nobre, quero um amor (re) inventado.
Um dia para ter seus elogios me parece pouco, quero ter o seu melhor quando eu te mostrar o meu pior, quero teu afago em dias de megera. Ser mulher não me basta, não é por isso que quero ser lembrada.
Quero ser lembrada por minha sutileza, por minha doçura, por minhas qualidades, não vá levar tão a sério minhas falhas.
Ser mulher não me basta, quero ser essência e muito mais.
Ana Fenner

05 fevereiro, 2012

Fantasia de amor

Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval... Vinícius de Moraes
"Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval."
Vinícius de Moraes

02 janeiro, 2012

Contentamento

Esse ano não fiz promessas, não pulei ondas, nem estourei champanhe a meia noite. Comecei  beijando meu bem querer, numa estradinha de terra batida, pensando “que bom meu Deus, que felicidade pode ser simples assim”.


01 novembro, 2011

Quem é esta estranha, que me encara no espelho do banheiro?
Foi de madrugada, que com espanto, não me reconheci no reflexo esfumaçado do espelho. 
Estaria eu então, vivendo a metamorfose de Kafka ou estaria como H.G., de Clarice, experimentando o absurdo do despertar. Não, não é isso. Foi o estrondoso grito do silêncio, incapaz de acordar toda casa, mas berrando aos meus ouvidos. Foi um baque, um vidro estilhaçado, pedra atirada, o impacto da bala rompendo o ar e me atingindo...não tem volta.
A estranha do banheiro, descumpri as regras e me questiona: e agora?
E agora...agora não tem volta.

13 outubro, 2011

17 abril, 2011

Para ela com carinho

O que a gente precisa é ser valente nessa vida, o que esperam da gente é coragem. Então senta q eu vou te falar de quem sempre tenta uma vez mais, escuta o que tenho pra te dizer dessa gente bonita e do bem. Se acanhe não, que aqui o que importa é o que vem do coração, deixe a tristeza do lado de fora que quero falar de uma moça coragem. Moça sim, que idade não esta no calendário, mas no brilho do olhar. E ela tem aquele brilho no olhar (sabe?),  de gente que já nasceu sabendo ao que veio, de gente que não foge a luta jamais. Eu a conheço desde sempre e isso não é exagero, conheço mesmo desde que nasci, não é parente não seu moço, que parente nunca foi patente de grande serventia. Esta moça é chegada minha, me estende a mão quando vacilo e esta ali para o que der e vier. Mas não é nada disso que eu quero falar, que isso nem carecia de explicação. O que eu quero dizer é que  eu tenho um apreço enorme por ela e que quero que chegue aos ouvidos dela que tem alguém aqui que a ama de um tanto sem tamanho. Esta moça é tão grande em generosidade e afeto que hoje eu acordei disposta a dizer para o mundo que aqui não tem peso de sobrenome não, aqui tem peso é de amizade.

16 abril, 2011

Bilhetinhos Meus

"Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura.
Esses, sim, são os bons.
Eu só escrevo para fazer afagos.
E porque eu tinha que encontrar um jeito de alongar os abraços.
E estreitar distâncias.
Uns escrevem grandes obras.
Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas."
Rita Apoena

12 abril, 2011

Ter me socorrido vai valer

"Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido

Sem as tuas garras sempre tão seguras
Sem o teu fantasma, sem tua moldura
Sem tuas escoras, sem o teu domínio
Sem tuas esporas, sem o teu fascínio
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena já ter te esquecido
Começar de novo..."

07 abril, 2011

Foi ele e não eu


Eu não desisti do amor, foi ele quem desistiu de mim. Saiu sem avisar, teve a delicadeza de não trancar a porta, de modo que posso sair quando quiser ou simplesmente esperar que outra emoção se achegue.  Eu não desisti do amor, foi ele quem desistiu desse abrigo precário que tenho a oferecer. Não disse um até logo, não olhou para trás, nenhuma despedida por menor fosse. Eu não desisti, você é capaz de compreender isso? Eu nunca desisti de nada, a vida é que abortou meus planos, foi ela quem me tirou o que me sustentava e tive que reaprender a andar... sozinha dessa vez.  Foi bom, você segurou minha mão por tempo demais, você segurou a onda por mais tempo que eu poderia pedir a você. Eu vi um amor bonito em você, eu vi ele se sustentar em meio a terrenos inseguros e agora vejo o vazio que ele deixou. Não sinto saudades de você ou do que foi, sinto saudades do que nem chegou a ser. Sinto saudades de um futuro que agora faço sozinha. Eu não desisti do amor, foi você quem desistiu de mim.