01 março, 2009

Novas Paisagens

Eu troquei o salto alto por rasteirinhas. E descobri que assim meus passos são mais ágeis. Eu troquei o conforto da ignorância pelo olhar que se perde nos corredores, corredores sem vida e de janelas com grades. Eu troquei meu medo por um otimismo bárbaro. Eu me fiz de cega por causa do medo que sentia, mas agora mantenho meus olhos abertos a toda novidade que surge diante deles. Substitui minha dificuldade do toque por apertos de mãos desconhecidas e nem sempre limpas. Eu abandonei meus velhos preconceitos por ver que eles de nada me valiam e comecei a seguir um caminho que provavelmente deixará marcas por toda vida. Há estradas irreversíveis, quem um dia olhou jamais se esquece da visão que teve.
Ana Fenner

Sentidos

Meus sentimentos expostos como feridas abertas. Escrevo porque escrever é desaguar, confunde-se quem pensa que sou triste ou melancólica, não o sou. Tenho um sorriso declarado em um rosto que se esconde para expô-lo mais. Todo mundo é triste um dia, algumas pessoas chegam mesmo a ser por alguns meses e tem aqueles que afirmam nunca terem sido de fato felizes, para ser honesta estou convencida que a felicidade plena não é deste mundo, mas ainda assim posso afirmar que a felicidade vive a me espreitar. Exigimos dos outros tempo para nos escutar, paciência para com os nossos defeitos, perdão para nossas falhas e, sobretudo uma “alegria” constante (é chato quem esta triste, quem não é feliz). Veja bem que vivemos na era das altas tecnologias, hoje burrice é algo ignorado já que basta querer e se tem acesso a todo o tipo de conhecimento, veja bem que mesmo assim exigimos dos outros e de nós mesmos algo irreal. Porque não se declarar? Porque usar de subterfúgios para convencer aos outros o quanto somos “legais”? Este é meu espaço, estas são minhas declarações, são meus sentimentos patentes ,mas não é de forma alguma minha face, minha vida, meus sentidos. Não perca seu tempo tentando julgar minha literatura porque de ante-mão lhe digo que é pobre e tola. Não tente desvendar uma alma através de sua escrita, é preciso alma para absorver a essência de outra alma. É preciso ter conhecido o amor para amar.
Ana Fenner

Pretextos

Necessita-se urgente de pretextos... elaborações concretas sobre todas as formas de sentimento.
Anseio por veracidades maiores que nossa racionalidade, por paixões enlouquecedoras e paz.

Paz... por onde anda este conceito? Por onde vamos sem conhecimento e posse da tão sonhada felicidade?

Eu venho nua, meu passado não me ensinou a amar. Estou pronta pra aprender com você.

Não tenho fórmulas certas, nem nenhuma receita ante-passividade, o que lhe ofereço são beijos aflitivos, palavras vãs sobre a realidade e uma vontade difícil de se medir. O que tenho pra você é o que nunca ofereci pra ninguém, são arquétipos esquecidos em algum passado próximo, é a face de uma mulher que só sabia ser criança. E se isso tudo não for suficiente eu respeitarei, pois já tomei posse dos sonhos que criei aspirando teu sorriso.
Ana Fenner

Dos 24

Na verdade quando fazemos aniversário estamos encerrando a idade que dizemos fazer, quando se faz um ano você esta na verdade terminando seu primeiro ano de vida e se preparando para viver o segundo. Seguindo este raciocínio reverso vou criando expectativas sobre como é viver o vigésimo quarto ano. Bem tenho que dizer que durante os vinte e três que é a idade que completei a alguns dias me tornei uma estranha diante do espelho e dos amigos que são talvez o reflexo mais honesto de nós mesmos. Esta estranha não surgiu de repente ela se insinuou discretamente por entre meus gestos e atos, ela se ofereceu com suas olheiras a transformar meu rosto, foi tomando conta de mim, fazendo com que me desencontrasse do que um dia eu fui. Agora festejo com alguns quilinhos a mais tanto na estrutura física como na alma, levo um ar de quem se perdeu, se transformou, perdeu e finalmente se encontrou, quase que nesta ordem. Mostro-me mais mulher agora, com a certeza do que quero , de quem sou e do que fui. Não, não me tornei mais forte, nem mais decidida, me tornei apenas o que sou com falhas e acertos, com ganhos e perdas. E se você nunca perdeu me diz como é que vai achar? Do caos surge a luz.
Ana Fenner

Jardim

Uma certa felicidade invade e transborda por ruas antes desertas. Plantei esperanças em meu jardim, elas são flores delicadas que plantadas no momento certo resplandecem ao amanhecer e ao entardecer podemos colher frutos saborosos que levados a boca nos fazem aproximar das nuvens.
Sonhos, estes mistérios que nos fazem ver além, observar por entre frestas um futuro repleto. Sim são sonhos que agora alimentam minha alma. Vejo você e eu num futuro próximo vendo borboletas multicoloridas, observando pipas enfeitando o céu.
Este meu jardim ao céu aberto, enfeitado com um suave arco-íris que permanece na lembrança, é feito de afeto, flores chamadas amores, desejos de diversos sabores. Esse lugar secreto e mágico que eu visito ao fechar os olhos é minha paz, é minha calma, é meu animo renovado por palavras doces, por vibrações positivas...porque é chegado o tempo de prosseguir.

Ana Fenner

Alívio

Um vento sem rumo. Um barco sem vela. Uma vida sem prumo. Não há em quem apoiar, não há em que se escorar. Alguém nos disse que é preciso aprender a viver sozinho... e viver junto quem é que ensina? A sociedade não é cruel, o mundo não é cruel, o ser humano é que abandona o outro. Ninguém olha nos olhos, ninguém se importa.Passou ou vai passar, como tudo.É preciso tempo. E qual é o tempo? quem dita o tempo? Ninguém quer esperar pelo tempo, eu não quero esperar.
Preciso de alívio imediato.
Preciso de um calmante para a alma.
Ana Fenner

Fragmentos


Resquícios de uma noite mau dormida. Resquícios de uma vida adormecida.
Os meus olhos ainda procuram os dele quando acordo, e se eu sonho seu abraço se torna real.
É minha face no espelho que se recusa a acreditar, as olheiras me parecem tão injustas.

Escuto passos pela casa são todos que estavam aqui ainda ontem com outras máscaras,
uma vida reinventada, recontada...uma noite desperdiçada.

Meus pés estão sobre um chão sujo e gélido e eles me transferem para a realidade e ai posso
me ver de frente,ali em pé parada com a velha estranha sensação de não pertencimento.
A insensatez de lágrimas que já não escorrem, a lucidez de se perder dos outros.

É o meu telefone que toca insistentemente as quatro horas da manhã, sou eu tomando susto,
sou eu no mesmo telefone horas antes tendo por companhia um amigo.
São só resquícios de uma noite e eu não entendo porque nem sempre é fácil deitar e esquecer.
E não entendo porque existem loucuras permitidas e as de outros é inibida e proibida.
Ana Fenner

Luzes

A cidade e suas luzes me encantam. É a noite que eu me encontro e me revelo. BH é uma cidade fascinante neste horário em que a maioria adormece, é ai que se pode ver com mais clareza. O ônibus se perde por ruas já conhecidas, as pessoas que estão a transitar parecem mais leves e mais verdadeiras. Eu tenho medo do destino e fico a observar as coisas transitarem ali do lado de fora. Talvez eu goste das luzes da cidade por uma falsa ilusão que elas me aproximem das estrelas. Ps: nem tudo precisa ser visceral e profundo o tempo todo
Ana Fenner

Paz





Uma paz ligeira invade este meu coração errante. Este meu coração leviano que só faz se apaixonar, que só faz acelerar diante das emoções mínimas, que se alegra com cada conquista do bem. É paz o sentimento do momento, paz e calma. Às vezes é devagar que se chega ao destino desejado. Por hoje não gritarei por cima de telhados, por hoje não armarei nenhuma revolução, por hoje vou apenas me encantar com o azul do céu, vou apenas escutar o vento a soprar, vou entender e perdoar. E se não puder perdoar vou desculpar. Porque não sou perfeita e ainda há coisas que não são verdades para mim. Por hoje não vou me culpar nem remoer velhos remorsos, por hoje vou admitir que errei e ainda não sei o motivos que me levam a cometer certos erros, mas afinal sou humana e nesta condição que me encontro a única verdade é o progresso diário. Por hoje vou deitar em meu jardim, fechar os olhos e sonhar com anjos. Porque estou aprendendo a construir meu jardim e cultivar borboletas.
Ana Fenner

Revolução


É preciso olhos pra se ver. É preciso alma pra se sentir. Com caneta e papel ganho liberdade. Com caneta e papel me liberto dos meus medos, desabafo minha tristezas e me perco num mundo que só existe em mim. Se você tem olhos como é que passa por isso sem perceber, se você tem alma como é que não sente, ou será só mais um disfarce? O mundo é mais do que baladas e fantasias, tem gente se perdendo por ai, tem gente que já não sabe como voltar e é preciso uma revolução urgente. Revolução de sentimentos. Comecemos colocando o amor, aquele mandamento básico, em primeiro lugar. Depois vamos correr atrás do prejuízo e dar a mão a quem tanto precisa. Eu preciso de você, preciso ter folhas e tintas pra sobreviver a esse turbilhão de emoções. Preciso urgentemente de afeto sincero e do teu olhar pra enfrentar toda a insensatez que há em mim e neste planeta que habito. Faça algo por você, se declare amante de tudo o que é vivo. Faça algo por mim saia do seu pequeno universo e olhe ao redor você vai descobrir que há muita coisa a ser feita e é preciso começar agora.
Ana Fenner