11 julho, 2010

Florescer


Chove chuva
vem molhar meu quintal
e lavar a alma.
Chove manso no telhado
invade a grama
traz a novidade.
Tromba d água que inunda meu ser
submerge minhas certezas
deixa cheiro de mato molhado por toda casa.
 Vou banhar-me em tuas águas, fazer-me ribeirão.
Vou cantar- te nos ventos
perder-me nas tuas águas
renascer junto às flores do campo.
Chuva é uma oportunidade de brincadeira,
de aconchego no balanço da tarde,
de guardar-me dos redemoinhos de vento.
Chuva é deixar florescer uma esperança tardia
bem no meio da imaginação.
Ana Fenner

26 junho, 2010

Bagagem


"Pra vocês eu deixo o sono,
o sonho não,
Este eu mesmo carrego"

Leminski

19 junho, 2010

Alvorada

Na alvorada do caminho, surge um novo dia. Daqui antevejo tuas cores pálidas, o outono a assoviar suas novidades no parapeito da janela. O que o amor tem de bonito é isso, está sempre à beira do que é efêmero. Aceita correr livre sabendo que o destino do rio, independe das voltas que dá. O céu confidencia ás estrelas que toda tristeza se finda no encontro com as ondas do mar
Ana Fenner

10 junho, 2010

" Como uma bandeira ao vento"

 
Senhoras e senhores a copa de 2010 se iniciou hoje, com um show de abertura no mínimo repleto de significados. Uma copa realizada em plena África quer dizer muito mais do que pernas e bola, quer falar de educação, quer falar de igualdade, quer estampar o mundo inteiro com suas cores vibrantes e natureza exótica. Um país que declara seu passado, um homem que se veste de uma nação e muda o rumo de uma história. Só pela biografia já vale a pena ser assistida, imagina só quando a meta se torna educação, logo nós acostumados com jogadores de futebol que em sua maioria titubeiam no uso de verbos e pecam na ora de cantar o hino do país que literalmente vestem a camisa. Imagina só uma copa em que o slogan é “ 1 goal for education” , me convenceu de cara. E para melhorar as coisas eu amei a música oficial. Não bastando isso confesso, sou apaixonada pelo que os esportes provocam nas pessoas, adoro essa sensação de objetivo comum, da minha voz ecoar junto com outras mil em um estádio (ou em um bar qualquer), não tanto pelo esporte se é que me entendem, mas pelo espetáculo que ele promove. Se nada disso lhe convenceu (e não é esse o objetivo) tudo bem, basta que você também encontre motivos para comemorar. Podem ser motivos “banais” como brincadeira de criança ou “fundamentais” como um novo emprego, não importa, basta que você seja livre “como uma bandeira ao vento”. 
Ana Fenner

09 junho, 2010

Doce ou travessura?

Escandalosamente toca em algum lugar e eu gosto de sua voz aguda, da sua gravidade improvisada, da vida entorpecida. Um sabor agridoce de verdades insuportáveis, de uma leveza ruidosa e riso solto. Suave como as brisas do outono, tempestiva como as chuvas de verão. Um beijo ardente bem no meio dos teus devaneios, trazer você bem junto a mim. Sorver o calor do teu hálito de menta, desfazer tuas metas, desafiar seus interesses.
Se me atiro, se enlouqueço, se te viro pelo avesso, se te enfrento de cara lavada é que não sei ser outra. Se canto alto, se desafino, se te aborreço, se te ignoro, se me desfaço de você, se te convido, se te levo comigo é por te querer de novo.
Ana Fenner

08 junho, 2010

Coragem, um cão covarde

"Resta esse constante esforço
para caminhar dentro do labirinto

Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo,
e esse medo Infantil de ter pequenas coragens."

Vinicius de Moraes

11 maio, 2010

Regresso


Deixo a mala pronta, me arrumo com esmero, troco a envergadura que serviu de escudo e confiro as fechaduras. Descuido da solidão, negligencio as cicatrizes, disfarço o caminho que me trouxe até aqui. Abandono os novos hábitos, ligo para os velhos amigos, pesco da memória a moça de antes, tiro poeira das paixões. Na rua dou com o mar e me despeço também, não sinta saudades que meu regresso é preciso. Volto o olhar para o que me motiva, dou de encontro com os braços abertos, tem gente me esperando no portão. É pra lá que eu vou, onde as ruas são velhas conhecidas e o amor mais seguro. Mas não faça alarde da minha partida, nem sofra com minha ausência, volto em breve com a mesma perseverança de quem recomeça todos os dias uma vez mais.
Ana Fenner

08 maio, 2010

Contramão

Desafino
Minha alma não reconhece as notas, toca por instinto. Meu corpo desequilibra em meio à dança, juram por ai que é molejo. Eu já não canto as avessas nem transbordo em uma esquina qualquer.
Meu ritmo se desnudou entre uma melodia e outra, fiquei entre as linhas da sua imaginação. O salão pede bis, exige um novo passo, me recuso, desacelero...
só reconheço o descompasso.
O meu samba não é de raiz, meu rock não é pop, nossa canção é minha mais pura invenção.
No compasso do cordel minha essência é dançante, sigo a cadência no passo do teu gingado. 
Ana Fenner

28 abril, 2010

Eu acredito

Eu quero me dar o direito de acreditar em tudo que é pássivel de ser imaginado.
Ana Fenner

"Me deixa brincar de ser Feliz"



Corro pelo asfalto, com vista para o mar. Eu mudo a rota, reinvento o traço. Eu conheço aquela esquina reconheço aquele olhar. O vento sacode a poeira, o vento bagunça os cabelos meus. Eu não me faço de rogada, vou de encontro ao mar. O que eu não gosto é do meio termo, sou dos extremos, a minha dor não me cabe, a alegria me extravasa, o que eu não sou é meio do caminho. Quiçá descobrir a minha natureza, desvendar os meus segredos. Pensando bem, esquece isso, deixa pra lá. Puxa uma cadeira, vem ver o sol, vamos brincar de ser feliz.
Ana Fenner