30 dezembro, 2009

Resposta " Não ao ato médico"

O post ato médico recebeu um comentário e eu me senti impelida a respondê-lo no blog. Deixo claro que todos os comentários sempre serão bem vindos e críticas muitas vezes são fatores de crescimento. O que me surpreende é que alguém que provavelmente passou no vestibular de medicina (como se isso dissesse algo do caráter de alguém) não apresente nenhum argumento ao prestar uma constelação de falta de respeito com os outros profissionais da área de saúde e uma completa ignorância ao não saber expressar sua opinião de maneira respeitosa. Creio que a pessoa que escreveu deve ser uma estrela radiante, seu comentário estará sempre aqui porque antes de tudo respeito à escolha e as opiniões alheias, aprendi que ignorância parte do desconhecimento, portanto só posso lamentar que a nossa cultura ainda alimente egos que se acreditem Deus. A única coisa que me surpreende é que a estrelinha não tenha assinado, o anonimato é também uma forma de covardia, a minha opinião continua a mesma e o comentário só veio reforçar o que penso. Respeito à medicina e sua importância o que muito me surpreende é que pessoas que só sabem expressar sua importância diminuindo as demais possam se tornar médicos, mas afinal ninguém faz vestibular de dignidade e respeito não é mesmo?

ps: querido colega para sua informação nunca prestei vestibular para medicina, caso essa fosse minha vontade não faria outro curso só por encontrar possíveis obstáculos em minha admissão em uma faculdade, claro que você não me conhece e portanto não pode julgar minha capacidade intelectual nem as dos demais profissionais da área de saúde. Não me julgo subordinada a ninguém e caso o fosse não seria vergonha alguma, vergonha teria eu de ser uma pessoa soberba e pretensiosa. Defeitos estes que eu com certeza não conservo.
Ana Fenner

"Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo"
Voltaire

24 dezembro, 2009

Foto by Andrea e Efeito by Kerley

Tic-tac...
Tic-tac...
incansaveis se tornam.
lastimaveis sensações

um ato marginal
abordado como um canto de adeus
hoje atormentado por relapsas aspirações
de quem um dia sonhou

mas sonhar...
por quem ou o que?
não me recordo de obter da vida tal
resposta

a quem caberia esta, por hora me
pergunto...


levar um vida fora da lei,
com atitudes em sustenido
sempre um algo a mais
sempre, sempre neste tom!

este que nunca foi conivente ao meu
sonhar...

ta legal!

caminhar e somente,
sem um algo ou porque buscar
sem o gozo do ex-sonhar!
"guarde um sonho bom pra mim".

Kerley Jerônimo
Porque ele tem talento e vez ou outra tem me deixado ler e compartilhar isso. Obrigada!

23 dezembro, 2009

Confiança


"A única maneira de verificar se uma pessoa merece confiança é confiar nela"
Sophia Loren

21 dezembro, 2009

Fortaleza


"Mais forte e mais serena E livre e descuidada"
E é preciso coragem para encarar a vida de frente, força para não desistir e disposição para ser feliz. É preciso uma dose de paciência para com os outros quando temos os nossos próprios problemas e saber escutar pode ser uma arte. Ir além do planejado, ousar além do horizonte, enxugar uma ou outra lágrima e seguir. A fortaleza pode despontar em meio às pedras do abismo e é preciso saber olhar para poder vislumbrar a flor silvestre que desaponta contra as intempéries da natureza. 
Ana Fenner

16 dezembro, 2009

Tabacaria


" Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso
querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do
mundo."

Fernando Pessoa

14 dezembro, 2009

Vovó Geny

Deixa que isso não é caso de fazer alarde, deixa que isso não é caso para magoas. Fecho meus olhos e volto pequenina ao colo de minha avó. O colo era a certeza, conforto e luxo de menina. Minha avó era o meu pequeno porto, minha paisagem de fim de semana. Carisma minha avó tinha, tinha também jardim e um cabelo bem ralinho. Quando vovó ficou doente eu só pensava que deixando de rezar ela morreria, eu devo ter me distraído em algum momento. Tem dias como esse que sua ausência se torna quase palpável e eu rezo em segredo para tê-la em meus sonhos. Em dias como o de hoje seu colo seria refugio, sua palavra seria aconchego e a saudade não seria uma palavra tão dolente.
Ana Fenner

Vazio

Perdoe-me essas lágrimas que desabam assim tão audaciosas. Perdoe-me estas mãos que tremem tão desmedidas. Dentro de mim chove fininho e aqui fora tem um sol que não me aquece. Sou tão pequena diante do mundo, sou tão menina diante de você. Meus passos se perdem de mim e eu de susto fecho os olhos, podia ser eu uma criança. Podia ser eu qualquer coisa de inaudível, assim meu choro não corromperia tua armadura. Deixe-me ficar cinco minutos mais nesse que foi outrora o lugar de minhas euforias, deixe me descansar um pouco mais nesse que antes se parecia tanto com meu lar. Veja, minhas lembranças estão em cada pedacinho, estão no ladrinho quebrado, na panela furada, estão andando por ai descalço. Descalço de mim sigo sem rumo.
Ana Fenner

13 dezembro, 2009

Não sei Dançar



Às vezes eu quero chorar
Mas o dia nasce e eu
esqueço
Meus olhos se escondem
Onde explodem paixões...

E tudo
que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar
Ou outra coisa prá
lembrar...

Às vezes eu quero demais
E eu nunca sei
Se eu mereço
Os quartos escuros
Pulsam!
E pedem por nós...

E tudo que eu
posso te dar
É solidão com vista pro mar
Ou outra coisa prá lembrar
Se você quiser
Eu posso tentar
Massss!...

Eu não sei dançar
Tão devagar
Prá te acompanhar...(final 3x)

Eu não sei dançar
Tão devagar
Prá te acompanhar
Prá te acompanhar...

Alvin L.

08 dezembro, 2009

Não ao Ato Médico



A LEI DO ATO MÉDICO estabelece que caberia aos médicos o direito de realizar o diagnóstico das doenças (nosológico) e a prescrição terapêutica (tipo de tratamento). Para adquirir as habilidades e competências para fazer o diagnóstico e as respectivas prescrições terapêuticas nas 13 áreas das profissões regulamentadas, os médicos teriam que estudar no mínimo mais 50 anos. Assim, ao delegar aos médicos o exercício de atos privativos para os quais eles não possuem treinamento, o Estado coloca em risco a saúde da população e engessa o desenvolvimento das profissões da saúde.

Para votar contra ai esta o link:

06 dezembro, 2009

Música

Há música para cada instante vivido. Há músicas para momentos tristes, outras que inspiram confiança, tem aquelas que nos invadem em um domingo azul e aquelas para namorar. Tem músicas que ele me tira para dançar, tem músicas que ele me deixa no canto. Se fosse escolher uma voz para cantar este meu instante seria Maria Gadú:


Ser capitã desse mundo
Poder rodar sem fronteiras
Viver um ano em segundos
Não achar sonhos besteira
Me encantar com um livro, que fala sobre
vaidade

Quando mentir for preciso, falar a verdade

03 dezembro, 2009

O Amor Não Tem Idade

Ela uma jovem senhora de 77 anos, ele um senhor de 65. Conheceram-se não faz muito tempo e vai saber porque se encantaram, nada de paixões arrebatadoras, dessas que dissimulam, iludem, provocam febres e desorientam. Não meus senhores, eu falo aqui de afeto, destes que chegam manso e inundam a alma. Eles (por favor, não se espantem) eles se casam agora dia 11 e se casam porque amam. O amor é flor silvestre a beira de um rio só esperando e ele não reconhece raça, não se envolve com números e não se importa em que faze da vida vai florescer. Ele é flor silvestre que floresce e quando se vê já é ele todo um jardim perfumando almas, lapidando corações e ganhando o mundo.
Ana Fenner

Foi Deus quem fez você

A música fala por si só:

Foi Deus que fez o céu, o rancho das estrelas
Fez também o seresteiro para conversar com elas
Fez a lua que prateia minha estrada de sorrisos
E a serpente que expulsou mais de um milhão do paraíso
Foi Deus quem fez você
Foi Deus que fez o amor
Fez nascer a eternidade num momento de carinho
Fez até o anonimato dos afetos escondidos
E a saudade dos amores que já foram destruídos
Foi Deus Foi Deus que fez o vento
Que sopra os teus cabelos
Foi Deus quem fez o orvalho
Que molha o teu olhar, teu olhar
Foi Deus que fez as noites
E o violão planjente
Foi Deus que fez a gente
Somente para amar, só para amar


Menina do Céu

27 novembro, 2009

Hoje

O amanhã é mistério, o amanhã é um doce segredo. Meus desejos me absorvem, ser hoje é o que me consome.
Ana Fenner

Feliz


Eu sou de uma felicidade escancarada, que não se envergonha pela evidência. Sou de um riso aberto, de uma veracidade irritante e um sentimentalismo incurável. Sou a menina doce e cativante, a mulher fria e por vezes irritante. Sou de uma paixão mordaz, de um amor que não reconhece limites. Sou o defeito, o erro e o medo. Sou as lágrimas que me fogem, sou a neurótica em dias de TPM, a insegura nos braços do desconhecido, sou minha e sou tua se assim for minha vontade. Sou tantas e não sou nenhuma, mas levo comigo a felicidade e que venham os próximos 24 anos e se acaso não puder tê-los guardo a certeza de que estes valeram imensamente à pena.
Ana Fenner

19 novembro, 2009

Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim pesa,
Pondera
Outra parte, delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem
Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida ou de morte
Será arte?
Será arte?
Ferreira Gullar

26 outubro, 2009

Explosão

Minha escrita é uma luta veemente contra a insanidade (acho tão bonito isso de ser insano, o que me falta é coragem). É uma batalha perdida porque sei que no fim vou acabar de uma forma ou de outra não me ajustando. Minha fuga é do imaginário, é desse ser fantástico que tenho medo, a realidade é tão puramente linda que tento me agarrar a ela. Bobagem isso de dizer que a razão domina, mentir pra quem afinal? Eu gosto de ver as regras serem quebradas, eu gosto de pessoas inusitadas, eu gosto do que é surpreendente. Imprudência e um pouco de explosão.
Ana Fenner

Constatação

Uma saudade rebuscada de um presente ainda vivo. A chuva mansa que lava as calçadas não leva nada do que é permanente, apenas encharca os olhos da pequena. Se o mundo é doce ilusão, a vida não passa de brincadeira de criança. O que absorve e traga é a solidão de dias quentes, é esta esperança assombrada que nos assalta em meio à madrugada. Vivemos a espera do pequeno grande milagre e ele nos escapa como areia por entre os dedos, o que fica são vestígios de sonhos que a nossa realidade reflete de maneira turva. Entretanto a felicidade é estado de espírito que vai e volta, suave como estas palavras lançadas ao vento.
Ana Fenner

16 outubro, 2009

Thinking About You

Tradução da música Thinking About You, que chegou na minha caixa de e-mail em 07 de Abril de 2006. Hoje revirando minha caixa postal encontrei, achei linda e esta ai:

Pensando em você
Ontem eu vi o sol brilhando
E as folhas estavam
caindo suavemente
Minhas mãos frias precisavam de um morno, morno toque
E eu estava pensando em você

Aqui estou eu, procurando por sinais de partida
Você segura minha
mão, mas você realmente precisa de mim?
Acho que está na hora de eu deixar você ir

Mas eu estive pensando em você
Estive pensando em você

E quando você navega através das águas oceânicas
E alcança o outro
lado seguro
Oh, você poderia sorrir um pouco pra mim?

Porque eu estive pensando em você
Estive pensando em você

15 outubro, 2009

Brincadeira 'sem graça'!

Vida mais poética essa do sambista que vive na boêmia e vez ou outra se toma de nostalgia.

" Brincando de nostalgia em meio a madrugadas...
a vida é bem maior que nós,
com todas as nossas tentativas de entendimento, com toda a nossa agressividade
cotidiana, com toda a nossa alegria febril, com todas as nossas tempestades e
todos os nossos copos d’ água. A vida é bem maior que nós, com todo a nossa
fúria de ocasião, com todo o nosso desespero momentâneo, com toda a nossa
solidão etérea, com toda a nossa capacidade ou incapacidade de estender a mão.

Fúria de ocasião...fúrias em ocasião!
Talvez seja melhor pensar no agora,
permitindo quem sabe, que em outrora,
dias assim se façam por mim,
e que dias assim se façam ter fim.
Brincadeira 'sem graça'! "

Texto by Kerley Jeronimo escrito em 10/07/09 ás 04'30", que eu peguei emprestado com devida autorização.

06 outubro, 2009

Desaguar

A moça ali no meio da rua a gritar impropérios, a moça ali dançando de baixo da chuva não parava de gritar. Era um grito mudo, silenciado pela cadência de seus passos. Se ela ri e chora assim, há de ser a alma e ai nesse caso não há doutor que dê jeito. A tal da menina tinha medo da loucura e na ironia do cotidiano nem viu que a insensatez é a rota de quem sente. Alguém passa por ela não a vê,um outro observa e não compreende.
E quem é que entende uma dor assim? 
Ana Fenner

05 outubro, 2009

Felicidade


O vento brinca de bagunçar meu cabelo e há flores em tudo o que vejo. Esse desejo de experimentar o mundo, de tomá-lo em minhas mãos e me tornar dona do meu destino. Eu posso correr léguas meu bem porque aprendi a seguir sozinha, eu criei meia asa e com ela já posso alcançar vôos surpreendentes. Eu vou seguir a primeira estrela que avistar e pode apostar eu vou acabar chegando lá. O deserto tem sua beleza única e rara e não há mais o menor receio de me aventurar por ele, porque os mananciais existem e a vida é cheia de possibilidades.
Ana Fenner

Enfrentamento

"Talvez com o passar dos anos a gente fique prudente e admita as renúncias. Talvez tenha experiência de haver saído ileso de outras dores."

Trecho do livro: Os passageiros do Jardim, de Silvina Bullrich. O livro é um exemplar amarelado que guardo junto aos tantos romances que me comovem por um ou outro motivo. Como estão amareladas algumas lembranças minhas, mas hoje estou de um otimismo bárbaro. E as páginas amareladas de minha vida são agora apenas aprendizado.

04 outubro, 2009

Impaciência

Paciência a zero, coração a mil. Os olhos secos, a alma encharcada. O que é velho permanece, a novidade esta ultrapassada. O menino que faz malabares encontra-se maltrapilho, o bem vestido é o bandido. Faz-se do lixo arte e do luxo pecado. Tem gente pra julgar, tem quem se faça de vítima. O mundo anda direito, o ser humano ao avesso. Tem copo cheio em toda festa e mente vazia em cada esquina. Tem chato pra tudo e é certo que pra tudo tem chato. O moralista em casa que se deprava na rua, os loucos de bom coração. Tem pessimista achando que agora a coisa vai dar certo, tem domingo cinza e eu aqui acreditando nessa merda toda.
Ana Fenner

03 outubro, 2009

Amor Meu

Se falo de amor é porque me perco e me reconheço nesse aconchego. Se fujo as regras, se me perco e me reconheço é por esse vício de amar. O meu amor não é fácil, meu amor nunca foi os de revista, meu amor é literatura de José Saramago e seus textos sem parágrafos, suas rebeliões e intensidades. Minha paixão é verso de Florbela Espanca: denso, platônico e eternamente insatisfeito. Amor não é gratidão e tão pouco exige retidão. Falo do amor meu porque só dele tomo conhecimento, dos outros apenas desconfio. 
Ana Fenner

02 outubro, 2009

video

Meu irmão me ligou me dando a notícia em primeira mão e eu imediatamente me tomei de amores. Amei seu riso antes mesmo de conhecê-lo, desejei poder carregar antes mesmo da sua chegada a este mundo, amei desde o primeiro instante. Minha pequena e linda Marcelly.

20 setembro, 2009

Isso


É o caos. É a roda gigante da vida. É o medo do futuro. É ele e ainda sou eu. São os jogos que já não vejo. É essa impaciência nata. É meu cabelo que não se ajusta. É o peso que não baixa. É saudade que não cura. É teu cheiro dentro do ônibus. É minha revolta silenciada. É o prejuízo que ninguém paga. É o trânsito caótico. É a desordem da casa. É pé no chão.

Sou eu mesmo sim senhor.
Ana Fenner
Uma canção que me inundou, em um domingo de manhã. Claro que muito mais linda quando a gente ouve:

QUANDO FUI CHUVA
( Luis Kiari e Caio Soh )

"Quando já não tinha espaço pequena fui
Onde a vida me cabia apertada
Em um canto qualquer acomodei
Minha dança os meus traços de chuva
E o que é estar em paz
Pra ser minha e assim ser tua
Quando já não procurava mais
Pude enfim, nos olhos teus vestidos d’água
Me atirar tranqüila daqui
Lavar os degraus, os sonhos e as calçadas
E assim no teu corpo eu fui chuva
Jeito bom de se encontrar
E assim no teu gosto eu fui chuva
Jeito bom de se deixar viver
Nada do que eu fui me veste agora
Sou toda gota, que escorre livre pelo
rosto

E só sossega quando encontra a tua boca
E mesmo que em ti me perca
Nunca mais serei aquela
Que se fez seca
Vendo a vida passar pela janela
Quando já não procurava mais
Pude enfim, nos olhos teus vestidos d’água
Me atirar tranqüila daqui
Lavar os degraus os sonhos e as calçadas
E assim no teu corpo eu fui chuva
Jeito bom de se encontrar
E assim no teu gosto eu fui chuva
Jeito bom de se deixar viver "


Altar Particular
Maria Gadú

"Meu bem que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular
Sei lá, a tua ausência me causou o
caos
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal
E então, tu tome tento com meu
coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós
Depois, que o que é confuso te deixar
sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós
Se enfim, você um dia resolver
mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser
Ou então, dizer que dele resolveu
cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo faço melhor do que lhe parecer
Teu cais deve ficar em algum lugar
assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor
Sem mais, a vida vai passando no
vazio
Estou com tudo a flutuar no rio esperando a resposta ao que chamo de
amor"

17 setembro, 2009

"É PRECISO TER O CAOS EM SI MESMO PARA SER CAPAZ DE DAR À LUZ UMA ESTRELA DANÇANTE"

15 setembro, 2009

Da matéria e do ser

Eu sou um coração errante.
Sou coragem e covardia.
Eu sou uma força bruta.
Sou mulher que dança a beira do abismo.
Eu sou verdade e perdição.
Sou carne, osso e sentimentalismo barato.
Conto casos e promovo o caos.
Sou saudades e esquecimento.
Sou a menina descalço e de cabelos longos.
Sou a que bebe por luxo, a que clama por salvação.
Eu sou o que o vento não leva.
Sou giz e sou carvão.
Ana Fenner

13 setembro, 2009

Por tudo e por nada

Que o cisco não impossibilite minha visão
Que mesmo diante da dor eu não endureça
Que o que escutei seja estimulo e não prisão
Que mesmo descrente ainda tenha fé no amor
Que mesmo sozinha nunca me sinta abandonada
Que a saudade que sinto não crie esse abismo em mim
Que a minha perseverança não se confunda com covardia
Que as pedras do caminho não impeçam minha caminhada
Que eu possa olhar indistintamente o outro como meu irmão
Que os acontecimentos que me tem ocorrido não me paralisem
Ana Fenner

23 agosto, 2009

Bons Ventos


Já sinto os ventos que anunciam as boas novas. Arrumo a minha casa, ajeito os lençóis, o meu jardim esta repleto de vida e as flores perfumam a alma. Seleciono as melhores músicas, visto meu vestido mais leve, sento-me na varanda e espero a grande novidade. O mundo visto desta perspectiva me parece muito mais leve.
Ana Fenner

20 agosto, 2009

Fim


As portas abriram, pouco é verdade, mas já é possível vislumbrar alguma fresta de luz lá dentro. Espio e vejo que o meu fantasma não esta por perto, ouso perguntar sobre quem irá segurar minha mão. Desisto do questionamento logo em seguida, talvez tenha passado o tempo da espera. O meu fantasma era uma presença quase sólida, ele tapava o imenso buraco deixado e eu não sentia o peso da solidão. Assustada vejo que ele não esta ali, esboço um sorriso sincero de quase alívio, com as feridas e cicatrizes sigo, é que finalmente sou capaz de seguir sozinha.

PS: ao amado amigo imaginário fica meus sinceros agradecimentos. Como uma criança sedenta por compania eu o criei, e foi por você que muitas vezes me senti aconchegada neste mundo louco. Ninguém é substituível enfim, mas é possível e necessário aceitar os fins impostos pela vida.
Ana Fenner

14 agosto, 2009

Compromisso


Desejo compromisso é de almas, dispenso por assim dizer os compromissos de papel passado. Quero olho no olho, mãos dadas e satisfação em estar para o outro. Dispenso algemas sociais, recuso esta mentira comprada a atacado. Quero veracidade, dou-me ao primeiro que tomar minha alma pela mão e lavá-la a algum jardim. Recuso acreditar que é mais honesto quem mente uma mentira convencional. Quero desejos reais, quero cheiro doce e coração acelerado. Por vontade, por querer, este é o compromisso que anseio. Quero me casar antes com meus ideais, depois quero que se case com os teus, um dia ao abrir meus olhos quero estar coroada com flores colhidas por você e você promete descansar em meu colo, te conto uma linda história, você recita algum autor famoso. Sim eu ainda acredito em compromissos e acredito uma vez mais na possibilidade do que se faz belo.
Ana Fenner

12 agosto, 2009

E você?


Pode cair na real o mundo que você acreditou que existia só foi real na sua cabecinha de vento. A vida é isso ai, falta grana todo mês, teu visinho anda tendo overdose, teus amigos são uma piada de mau gosto, tua família de perfeita só o porta retrato mesmo, a era é de corrupção e o pessoal esta com medo da tal gripe do “porco”. A realidade não é bonitinha e ninguém tem tempo disponível, se quiser desabafar, hoje em dia já temos a profissão certa pra isso, procure um bom psicólogo e, por favor, pare de atormentar. Tudo isso é feio pra você? Então trate de ser mais humana, trate de abrir bem teus olhos, esqueça as roupinhas de marcas, esqueça tudo o que você aprendeu sobre etiqueta, tire o salto alto e trate de colocar a mão na massa. Você de uma maneira ou outra alimenta o sistema e estão querendo saber o que enfim, você vai fazer a respeito. 
Ana Fenner

Fragilidade

Humano, feito de carne, osso e nervos. Tuas células complexas partículas que lutam ardentemente para reparar os danos, teu coração num descompasso sem ritmo e tua alma perdida entre mil. Só mais um a perder a humanidade que te sobra entre uma droga e outra. Até quando o corpo resiste aos delitos que se comete contra ele? Até quando o ser humano vai se julgar um semideus? Doem de uma maneira surreal em mim teus olhos frios a me encarar, salve-se enquanto ainda há tempo. Salve-se de si mesmo se for possível. É necessária uma dose extra de coragem pra se viver.

10 agosto, 2009

Não adianta

Não vai mudar
Promessas nem rezas
Não vai voltar
O tempo, os dias
Fecha os olhos pra ter a sensação
Aquela tarde não é mais não
Não adianta
Vizinhos, polícia
Não vai voltar
O tempo, os dias
Em que tudo ainda estava no lugar
Abra os braços, abrace o que sobrar

Composição: Herbert Vianna

Sobre futuro

Por ver fica interdito o fato de declarar?
Por entender fica explicito que deveria explicar?
Sonhos tomados assim como sinais do futuro, pistas que alguém deixou pra que alguém desvendasse ou talvez tenha sido apenas descuido de um anjo travesso. Pesadelos a assombrar e os ponteiros do relógio insistem em marcar sempre o mesmo lugar como a recordar um passado que quero ardentemente esquecer. Sobressaltos em meio à noite e os olhos estão por assim dizer marejados, uma estranheza nunca sentida, de repente reza-se baixinho, depois quem sabe haja gritos em protesto. Uma voz a sussurrar a resposta, tão ali o tempo todo. Meu coração esta descompassado hoje, tentando compreender esta linguagem misteriosa, tentando aceitar a resposta que me foi dada.
Ana Fenner

09 agosto, 2009

Pai...o maior amor do mundo




Tão maior que minhas palavras é o meu afeto por você.
Tão maior que meus gestos é o meu amor por você.
Tão maior do que eu é minha admiração por você.
Você que é o maior presente que Deus já me deu, você que é sem sombra de dúvidas meu herói, meu amigo e meu pai.
Com você o dia parece sempre ensolarado e a vida é doce e leve. Com você a brincadeira é garantida e meu riso é maior quando você esta por perto.
Você que me ensinou que pra andar de bicicleta é preciso equilíbrio e que pra viver é preciso coragem, me ensinou que na minha casa todos são bem recebidos e confiança é acreditar.
Você que me ensinou a nadar e a enfrentar as ondas bravas que às vezes nos acertam, que me ensinou o que significa a palavra liberdade e me fez amar este conceito.
Você que é tão melhor que tudo que conheço, que ama sem fronteiras ou preconceitos e que esta em sintonia com a natureza.
Você meu único herói, capaz de ver o mundo com os olhos de criança e fazer da vida um espetáculo de alegria.
Pai, meu tão amado paizinho, meu orgulho, minha força, meio exemplo de vida.
Meu pai que é o maior amor do mundo, pra você toda a minha veneração.
Te amo sem medida. 
Ana Fenner

05 agosto, 2009

Prece


Ei você ai de cima, esta me escutando???
Bem eu estou de saco cheio desta vida mediana e já deu esta história de “podia ser bem pior”.
A verdade é que estou careca de saber que tudo isso foi escolha minha, fui eu que decidi seguir por aquela rua e não por aquela outra, foi eu quem terminou aquele namoro, fui eu quem me apaixonei pelo carinha errado, fui eu quem abri mão de alguns amigos, fui eu que bebi demais naquela noite, fui eu que liguei para aquele sujeitinho asqueroso, fui eu que abri a casa pra todo mundo e eu quem fechou algumas portas em mim. Eu sei disso papai, sei que você esta achando meio chato minha falação na sua cabeça e sei que você também esta me perguntando o que é tão ruim assim. Na verdade esta tudo muito bom, perde se aqui ganha-se acolá (pelo amor de Deus, que dizer a você mesmo, não me desminta nessa parte. Eu preciso saber que uma hora eu vou ganhar).
Então você que esta ai vendo todas as burradas que eu também estou cansada de cometer, preste atenção nisso, tire-me tudo quantas vezes forem necessárias, mas não me permita perder a fé no que é humano. Que eu perca a paisagem que gosto de ver, mas que eu não perca a capacidade de sentir o amor do outro. Que eu perca o objeto que seguro em minhas mãos, mas que eu não perca a mão capaz de ajudar. Que eu perca as músicas barulhentas que adoro escutar, mas que eu nunca esteja surda pra aquele que precisa de mim. Que eu perca a esperança, mas tenha minha fé renovada sempre.
Entenda pai acreditar em você nem é assim tão difícil, confiar na sua obra humana é que anda complicado. 
Ana Fenner

Que tudo mais vá para o espaço


Que o mundo vá às favas. Eu não sou assim tão ruim, é que a santidade não me cai bem. Esta face de boa moça me cansa, a tua ausência me sufoca e estou farta daquilo que me falta. Eu vou fazer aquilo tudo que pensei, eu vou tacar fogo á sua volta e quero ver se você é capaz de segurar a barra. Eu vou fazer um escândalo, vou dependurar tuas falhas no varal de exposição pública e vou olhar dentro dos teus olhos quando tudo mais estiver perdido, assim quem sabe você reage. Eu to desafiando o mundo e lamento ferir assim outras pessoas, mas eu quero mesmo que alguém seja hábil o suficiente pra fazer parar o gatilho que disparei. Vamos ver quantas pedrinhas são necessárias pra quebrar seu teto de vidro, eu estou apostando minhas melhores fichas nisso. Quero testar sua capacidade pra me deixar de vez, quero ver até onde vai o teu autocontrole. Vamos me surpreenda se for capaz.
Ana Fenner

04 agosto, 2009

Questão


Tenho passado por esse apetite devastador de viver, como quem não sai do lugar e ainda assim se sente em meio ao turbilhão. Não tenho feito nada do que imaginei que faria quando chegasse à derradeira idade em que loucuras são permitidas. Por verdade absoluta tenho que admitir que ainda seja apaixonada por aqueles veículos de duas rodas, sim as motos, o único risco que andei assumindo e agora também abandono. Abandono por assim dizer todas as minhas paixões, não por altruísmo, mas antes por covardia. A força que tenho esta antes aliada aos medos, sou mesmo capaz de entrar em uma briga de gladiadores e sair vencedora apenas por temor de perder. Confesso que vou me jogar, assim como quem se atira de um prédio e me pergunto se você será capaz de me segurar se por acaso agora quem precisar de um apoio for eu, o ponto é enfim se isso tudo é uma questão de força ou apenas de vontade.
Ana Fenner
"Não deixe de cruzar
O seu olhar com o meu
Eu vou jogar meu
corpo em cima, em cima
do seu..."

17 julho, 2009

Meus


Eu perdi um sorriso natural e contagiante e surpreendentemente conquistei um sorriso verdadeiro e profundo. Não tenho mais o medo de antes, de mergulhar em minhas intensidades, nem de parecer tola aos olhos de outros. Abandonei a guria quase que instantaneamente o autor do apelido se retirou pra uma longa soneca, também passei por uma hibernação de solidão por tempo suficiente para alcançar a lucidez e a um passo de me tornar insana... são muitas as que moram em mim. Mas descubro em fim meu gosto, meus desejos, tão meus que tenho medo de que se desfaçam diante dos meus olhos, quando esse pensamento me vem à cabeça morro de rir da minha tolice, agora que são meus parecem feitos de puro aço.
Ana Fenner

28 junho, 2009

Suavidade


Uma brisa leve levanta a poeira, levando tristezas ao vento e deixando aqui um sentimento delicado de quase paz. A suavidade de sentimentos nobres e afetuosos faz com que o semblante antes pesaroso se torne sereno. A condição é a mesma, mas busca-se na serenidade uma nova forma de se relacionar. Aos poucos o objetivo se torna a tolerância. Somente diante da compreensão é possível viver com o outro e ainda que pareça utópico é necessário empreender um esforço em busca da superação individual. A vida nos inflige um ritmo alucinado, nos cobra intensidade e nos perdemos em busca de ideais materialistas. É preciso notar que a vida é mais que trabalhos e relatórios, a vida é mais que o que a nossa sociedade capitalista nos ensina e impõe. O fundamental encontra-se discretamente entre os pequenos milagres: uma criança descobrindo o mundo, o sorriso espontâneo diante das boas novas, a alegria do encontro e o amor em sua plenitude.
Ana Fenner

22 junho, 2009

exaustão

Bobagem fingir que tudo isso faz sentido, eu já nem me importo mais. Meus olhos estão cansados e minha mente quer descansar. Sofro a dor de outros, de mim mesma quase já não tenho recordações. Por que caminhos andei, daquilo que me faz falta ou do que gosto ...quase me esqueço, disso tudo já não sei. Fui fazendo por uns, esquecendo por outros, fui tomando pela mão quem andava por ruas desertas e fiquei a deriva. Cansei de um cansaço inominável e vou ficando assim como quem só deseja partir, recomeçar, desistir. É que amar não é fácil, crescer também não e estar sozinho menos ainda. A verdade é que venho sofrendo de uma solidão inconfessável, nada nem ninguém me basta e a bem da verdade por mais que me doa eu também não basto a ninguém.
Ana Fenner

20 junho, 2009

Meu favorito


Sugestão


Sede assim — qualquer coisa
serena, isenta, fiel.

Flor que se cumpre,
sem pergunta.

Onda que se esforça,
por exercício desinteressado.

Lua que envolve igualmente
os noivos abraçados
e os soldados já frios.

Também como este ar da noite:
sussurrante de silêncios,
cheio de nascimentos e pétalas.

Igual à pedra detida,
sustentando seu demorado destino.
E à nuvem, leve e bela,
vivendo de nunca chegar a ser.

À cigarra, queimando-se em música,
ao camelo que mastiga sua longa solidão,
ao pássaro que procura o fim do mundo,
ao boi que vai com inocência para a morte.

Sede assim qualquer coisa
serena, isenta, fiel.

Não como o resto dos homens.
Cecilia Meireles

Amor Mais Que Discreto

Talvez haja entre nós o mais total interdito
Mas
você é bonito o bastante
Complexo o bastante
Bom o bastante
Pra
tornar-se ao menos por um instante
O amante do amante
Que antes de te
conhecer
Eu não cheguei a ser
Eu sou um velho
Mas somos dois meninos
Nossos destinos são mutuamente interessantes
Um instante, alguns
instantes
O grande espelho
E aí a minha vida ia fazer mais sentido
E
a sua talvez mais que a minha,
Talvez bem mais que a minha
Os livros,
filmes, filhos ganhariam colorido
Se um dia afinal eu chegasse a ver que
você vinha
E isso é tanto que pinta no meu canto
Mas pode dispensar a
fantasia
O sonho em branco e preto
Amor mais que discreto
Que é já
uma alegria
Até mesmo sem ter o seu passado, seu tempo
O seu agora, seu
antes, seu depois
Sem ser remotamente
Se quer imaginado
Se quer
imaginado
Se quer Por qualquer de nós dois

Caetano Veloso

junto

Minha casa, minha família... meus amores. A casa ganha cores que antes pareciam opacas, os sons são de risos e a paz é compartilhada. Por nos encontrarmos, por matarmos a saudades, por estarmos juntos o mundo agora é de acalento. Agora encontro-me em segurança, agora estou junto.
Ana Fenner

17 junho, 2009

Resposta nada literária

''Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data.'' (Luis Fernando Veríssimo)
Após algumas semanas de silêncio venho através deste manifestar minha opinião. Na verdade isto é a resposta que alguns tanto esperam, como me foi dito o que bem pensaram, considero-me no direito de escrever o que bem entender...não se preocupem, não postarei fotos de ninguém, é que para quem não sabe existe uma lei neste país que proíbe a exposição da imagem de outrem sem a devida autorização do mesmo. Surpresos??? Eu não os acuso, alguns jornais de grande circulação desconhecem esta regrinha básica, portanto como esperar que alguém leigo em direitos civis pode ter tal conhecimento não é mesmo? Se não estou errada, alguém leigo em direito também não se encontra apto a se tornar juiz de nenhuma sentença, ou estou errada? Mas vamos deixar isso de lado não é mesmo? Ninguém aqui pretende elucidar o código penal, mesmo porque sou terapeuta ocupacional e até que provem o contrário nada tenho que julgar a outros. Então vamos mesmo ao que interessa, ouvi a seguinte frase: “quem anda com porco acaba no chiqueiro”, entre outras pérolas de indelicadeza e desrespeito. A quem me disse isso e a outros que disseram o mesmo, indiretamente, quero alertar que resolvi aceitar o conselho e, portanto não andarei mais com “amigos”como vocês, lamento, mas vocês fedem... fedem a hipocrisia e falta de bom senso. Olha eu nada tenho contra a opinião alheia, acredito e defendo o direito de todos pensarem livremente, mas como alguns que se diziam tão meus amigos não puderam se abster de dizer suas opiniões em um momento em que decididamente ela pouco me interessava eu acredito que tenho o direito a resposta. Deixo claro que não estou aqui a defender ninguém que não seja eu, defendo o direito de crer nas pessoas que gosto, o direito de me entristecer com a dor daqueles a quem quero bem e principalmente o direito de me calar ou me zangar diante da curiosidade disfarçada de preocupação que me fez ter mais “amigos” em uma semana que em uma vida inteira. O que realmente me espantou foi a velocidade em que alguém que até outro dia nada tinha feito contra ninguém se tornou o vilão número um e o quanto na mesma velocidade eu me tornei a menininha boba e ingênua que nunca fui. Para maiores esclarecimentos eu poderia tentar explicar a todos o que aconteceu, mas não o farei, mesmo porque dar maior publicidade ao caso não é minha intenção e a quem se dirige este texto compreende muito bem sobre o que falo. Também não darei explicações porque aos verdadeiros amigos pouca ou nenhuma explicação é necessária e os outros infelizmente acreditam em tudo o que lêem e não estão preocupados em apurar os fatos. Por fim eu só queria fazer a seguinte pergunta: você acredita em tudo que lê??? Se sua resposta for sim aceite um conselho, abandone o habito da leitura e vá praticar um esporte, você ganhará mais e prestem bem atenção: nada de andar com porcos kkk
Ana Fenner

10 junho, 2009

Cronicidade

Sofro de ansiedade crônica. Meu coração adquiriu este descompasso e insiste em bater forte contra a corrente. Minhas tristezas são frutos de devaneios causados por uma mente que insiste em refletir demasiadamente. Minhas mãos não tocam meus pés se o meu joelho estiver esticado, mas minhas mãos alcançam as suas se você quiser seguir comigo. Meus olhos são ótimos e às vezes insisto em perder o foco, porque não quero mesmo ver certas coisas. Se quem eu amo me fere, haverá mil chances a mais e esquecerei quantas vezes forem necessárias. Para os meus erros ( não são poucos) peço uma dose extra de paciência e para minhas neuroses pode haver pulso firme. Não sou difícil assim, só um pouco complexa. Não me faça esperar porque meu tempo é outro, meus desejos são estes e minha vontade vai além do que se vê.
Ana Fenner

08 junho, 2009

Desinteresse

Ando por ruas que não conheço, permito me deixar levar por onde nunca estive. Eu já não corro, já me perdi no tempo, o relógio já não me diz mais nada. Encontro-me distraída e confusa, nada me prende, nenhum assunto realmente me interessa.
Ana Fenner

04 junho, 2009

Armou-se o picadeiro

Estava escuro a ponto de não ver ninguém, de repente foram acendendo uma luz sobre mim e outras luzes mais claras foram tornando evidente a multidão que me espreitava. Quando me dei conta estava eu no picadeiro, virei eu também atração do circo de horrores . A platéia aguarda ansiosamente um número revelador, esperam que eu faça algo de trágico ou quem sabe até mesmo cômico. Eu estou perplexa, vou ficando ali sem atitude alguma. De repente parece que o destino ou alguém vai mudando as regras do jogo, fazendo da gente apenas marionetes.
Ana Fenner

30 maio, 2009

Milagres

"Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar."

Paulo Mendes Campos

05 maio, 2009

Vontade de não ser

Quero Mais é só me visitar...
Esta ai minha verdade vomitada, minha insônia revelada, meus amores inconfessáveis.
Uma manhã imperfeita, saudades intermináveis e uma vontade louca de não ser.
Eis ai minha mentira disfarçada, um segredo a mais já não faz mal.
Tenho cultivado você, como cultivo certas incertezas.
Eu fiquei na estação vendo o trem partir, eu vi tanta coisa partindo em mim.
Eu quero mais é não ser, eu quero mais as futilidades de manhãs ensolaradas.
Não tome meu silêncio como falta, sou de um sentimentalismo bárbaro.
Ana Fenner

29 abril, 2009

Entretanto



Não vá agora, deixa eu melhorar
Não fique triste, tudo vai passar
É só ciúme, doença que contraí porque te amo demaisMas também é
loucura, loucura e loucura tem cura, ciúme também
E paixão é o que me faz bemEntretanto não vá
Não vá me abandonar
Você é o remédio
Que me tira do tédio, quando me faz amar
Não vá agora
Lembra do nosso abraço, beijo, sexo, demais
Lembra do nosso ninho, nosso cantinho
Que tanto desejo não posso disperdiçar
Lembra da nossa música
Entretanto não vá
Não vá me abandonar
Você é o mistério que me tira do sério
Que me faz amar
Entre, entretanto não vá
Não vá me abandonar
Você é o remédio que me tira do tédio
Quando me faz amar...
Entre... tanto...Não vá...
Não vá embora...
Não vá amor
Mart'nália

25 abril, 2009

Felicidades


Te amo por todas as coisas que você faz e por aquelas que você deixa de fazer também.
Você é minha certeza, muitas vezes minha força e minha coragem.
Amor sem sombra de dúvidas, afeto que transcende o tempo e a distância.
Nos conhecemos diante dos menores gestos, entendemos mesmo com a falta de palavras, compreendemos imperfeições e não ha desentendimento que perdure.
Não a vejo perfeita, reconheço teus defeitos, tuas falhas, mas a mim elas parecem sempre pequenas diante da dimensão do amor que te devoto.
Teve a coragem de me dar a vida, me deste mais, me deste todo um jardim a ser desvendado. Quando um espinho fura meu dedo você houve com paciência minha reclamação por vezes infantil, se me encanto com uma flor você logo faz festa e quando me perco sei que você me guiará de volta.
Você que soube compreender que agora sou eu que vôo em busca da minha própria história.
Incompreensões já houve, desentendimentos não faltaram e virão outros, mas nada disso é capaz de me fazer deixar de amá-la.
Você minha amiga de todas as horas, você borboleta essencial, você minha companheira desta jornada que se denomina vida, você minha sempre amada MÃE.
Não há palavras no mundo para agradecer as coisas que você fez e ainda faz por mim, não a gestos que representem meu amor.
E hoje eu só tenho que agradecer a Deus por ter me dado esta benção.
Te amo ao infinito e além.
Feliz Aniversário
Ana Fenner

09 abril, 2009

Velocidade

Tenho um gosto vulgar, uma fome voraz. Meu amores são fugazes, minhas paixões desmedidas. Meu ciúme fulminante. Tenho em mim uma pressa desigual. Minhas dores são dilacerantes. Minhas lágrimas são meio ácidas. Gosto do que não desperta atenção, do que é desigual. Sou assimétrica, meu olho esquerdo desconhece as visões do olho direito e minhas partes se repartem entre o que julgo ideal e o que sou, entre ser pureza e corrupção.Meus nervos não são feitos de aço, meu coração é órgão involuntário, minhas mãos suam enquanto eu encaro meus desejos, minhas pernas me desobedecem me levando a um caminho nunca imaginado. Eu?? Sou tudo e sou nada. Você?? Exatamente o que faz de si mesmo.
Agora sobre a verdade veja o que seus olhos permitirem.
Ana Fenner

08 abril, 2009

História

“assim como a maior parte das nossas feridas tem origem em nossos relacionamentos, o mesmo acontece com as curas, e sei que quem olha de fora não percebe essa bênção.”

É preciso viver, reviver, contar e recontar a história. É preciso encontrar todos os seus sentidos, os seus significados (reais ou não), até que ela se esvazie. Até que a lembrança, a dor, a saudade e tudo o que cerca se torne apenas uma história. Eu me escondi dos meus medos, fechei os olhos e fingi que eles não existiam, até que o escuro se tornou denso e me faltou o ar. Só se deixa de ter medo quando se encara os próprios fantasmas, você pode correr mil léguas ou mais, pode ter o melhor esconderijo do mundo... um dia, mais cedo ou mais tarde eles fazem barulho no sótão e o pânico volta. Os meus fantasmas ainda perambulam por aqui, mas agora sou capaz de encará-los e só assim descubro o que é ter paz. Estou me dando o tempo que julgo necessário, estou perdoando os meus erros, estou me apaixonando pelos meus desejos, estou me permitindo.E no fim é apenas a história única de uma vida.

Ps: Peço perdão aos afetos se tenho me tornado repetitiva, se tenho me fechado em mim, se tenho me perdido em pensamentos, em saudades, em uma paz incompartilhada, é que este é o meu tempo e estou de encontro comigo. Não se preocupem estou em paz.

07 abril, 2009

Solitária


Ela chorou uma dor sentida, dor de cansaço, de perda, de medo, se aproximou e segurando a jaqueta dele recostou a cabeça em seu ombro.
Esta é a recordação mais forte que tenho do ultimo ano, depois disso eu passei a chorar declaradamente por qualquer motivo, ou ainda pelos mesmos. Morar sozinha é uma experiência única, complexa e dúbia. O silêncio faz companhia até você descobrir que silêncio absoluto por muito tempo pode levar a loucura e ai inventa-se com quem conversar... conversa-se com o nada, conversa-se com o espelho. E de frente para o espelho passa a chorar e depois de muito chorar enxuga as lágrimas (se você não fizer ninguém o fará) e começa a rir. A lucidez vai embora, o bom senso se esvazia e qualquer pessoa ganha potencial para melhor amigo. Morar sozinho não é uma experiência ruim, é apenas uma experiência solitária. E diante dos reflexos desta experiência a gente se vê amadurecendo, se vê perdendo o medo antigo (adquirindo outros). Morar sozinho faz com que se passe a sonhar acordado, a liberdade e a afetividade passam a ter outra dimensão, eu fico a imaginar como seria minha vida se não tivesse passado a morar sozinha, provavelmente muito mais fácil, mas também eu não teria amadurecido tanto, eu não teria experimentado tanto, eu não teria tomado a minha vida em minhas mãos. Nada é fácil, mas afinal alguém disse que seria?
Ana Fenner

Insaciável



“Provação significa que a vida está me provando.

Mas provação significa também que estou provando.

E provar pode ser transformar numa sede cada vez mais
insaciável.”


Clarice Lispector


26 março, 2009

Ana e o Mar



Veio de manha molhar os pés na primeira onda
Abriu os braços devagar... e se entregou ao vento
O sol veio avisar... que de noite ele seria a lua,
Pra poder iluminar... Ana, o céu e o mar

Sol e vento, dia de casamento
Vento e sol, luz apagada num farol
Sol e chuva, casamento de viúva
Chuva e sol, casamento de espanhol

Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Que apaixonado entregava as conchas mais belas
Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar

Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar?

Ana e o mar... mar e Ana
Historias que nos contam na cama
Antes da gente dormir

Ana e o mar... mar e ana
Todo sopro que apaga uma chama
reacende o que for pra ficar


Quando Ana entra n'água
O sorriso do mar drugada se estende pro resto do mundo
abençoando ondas cada vez mais altas
barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar
desse novo amor... Ana e o mar

Teatro Mágico

Inquietudes

* Bateu um vento suave e lhe levou todas as pétalas. São assim as flores de vento, um sopro mais forte de uma criança ingênua lhe faz despedaçar toda. São assim as pobrezinhas das flores e são assim as mulheres algumas vezes.

* Escorre por entre meus dedos tudo aquilo que ainda não tive. Os meus desejos, todos eles tão esperados, me escapam por entre frestas. Tenho sentido saudade e até mesmo uma certa nostalgia de tudo aquilo que ainda não tive.

* Eu quero lhe dizer o que palavras não exprimem, queria tocar toda a verdade com a ponta dos dedos e lhe entregar como presente.

* Conheci artistas de um espetáculo que não é meu. Fui eu artista de mim mesma, representei o papel que me sobrou e que julguei ser a saída.

* Insanamente escrevo e lucidamente reconheço o peso morto que junto em minhas gavetas. O amor só faz sentido se vivido e nunca esquecido.

* Minha medida é desmedida, meu relógio perdeu os ponteiros, meu caminho se perdeu do rumo e você como vai?

* Querer... não apenas querer, mas sobretudo acreditar.

* Encontrar esta ai o meu sonho, o meu desejo, a minha paz.

* Não é capaz de perdir perdão a quem merece, perdeu essa capacidade, junto com tantas outras. Com o passar do tempo se acostuma com tudo até mesmo a se ver meio distorcida na imagem do espelho.

* Do mundo que abandonei ficaram pedras que edificaram a casa que insistentemente construo para me abrigar da chuva.
Ana Fenner

07 março, 2009

...


Ele vive dentro do aquário
Eu sou de sagitário
Ele nada pra viver
Eu vivo pra nada

Nero o imperador colocou fogo em Roma
Eu não guardo magoa
O Nero meu não morre afogado
Eu não me resguardo

Eu nasci pra amar
Ele é de rio não de mar
Ana Fenner

Presente

Nem bem começou o fim de semana e a doçura invadiu a porta da minha casa trazendo encantamento. Uma amiga foi quem trouxe a beleza e alegria que contagiou a manhã, trouxe de presente um peixinho beta (meu já amado Nero), trouxe assim de surpresa mesmo, nem chegou a entrar, bateu campainha e me entregou o presente e eu fiquei com a felicidade própria das crianças (cristalina e simples). Meus amigos são tão amorosos com seus atos singelos que me causam uma ternura sem fim. Passei a manhã brincando com Nero e a Lua (minha cachorrinha) e olha só esta casa esta se tornando mais habitada, somos agora três rs. Nos últimos tempos tem sido assim, quando minhas lembranças me enchem de saudades, vem logo alguém com um carinho todo especial. Os meus amigos não são anjos, mas me fazem acreditar em milagres. Principalmente neste milagre que não entendo: a vida.

Ps: Rachel lindeza obrigada pelo carinho, obrigada por alegrar não somente este dia mas todos os outros que passei em sua presença.Obrigada pelo lindo presente e por existir,.aliás você existe???
Ana Fenner

06 março, 2009

Desmedida


Olha não é por nada, eu não sou perfeita, não sou tão bozinha quanto parece. Olhe não vá levar a mau, é que eu também tenho meus pecados inconfessáveis. É que andei por estradas que não têm volta e mesmo assim queria regressar. Não sou tão meiga assim, não sou tão boa quanto queria ser. Meu coração ainda toma a frente das coisas, ele ainda manda e desmanda em mim. Se eu incômodo não é por querer não quero fazer barulho, quero apenas seguir. Às vezes acho que vou acabar muito cansada para continuar nadando depois caio em mim e vejo que surge força da onde eu nem imagino. A vida tem disso, é música q a gente não entende, mas acaba dançando.
Ana Fenner

03 março, 2009

O Fantástico Mundo Meu

Gosto de sorvete, mas do que de qualquer comida e é fácil me agradar assim. Não sou do tipo revoltada, nem faço o gênero passiva sou antes uma mistura de aceitações, infantilidades, lembranças, saudades e algumas poucas maturidades. Penso em voar de asa delta,mas nunca me sobra dinheiro, iniciativa e até mesmo vontade.
Sou do tipo que faz tempestades em copo d’água, levo algumas coisas ao pé da letra, depois me refaço e corro atrás do prejuízo.
Ciumenta por natureza e encontro ai minha maior neurose. Não me importo muito se você gosta ou não do meu corpo, aprendi a viver com minha assimetria. Não sou santa nem puta, nem pobre nem rica, não gosto de pessoas convenientes e ás vezes minto por comodidade. Tenho meus vícios, minha manias, minhas imperfeições, já quis mudar o mundo (e continuo querendo rs), já perdi as esperanças e conquistei a fé.
Vou ao cinema com certa freqüência, quase não assisto novelas, adoro escutar músicas, acho teatro um obra de arte,mas amo mesmo é ler. Livros roubam minha atenção e conquistam minha alma.
Admiro rebeldias, quem dá a cara a tapa e vai a luta. Sou feita de sonhos, paixões e desejos.
Eu: imperfeita, incoerente, incógnita e completamente instável
Ana Fenner

02 março, 2009

ela

         Sentada sem dizer nada, só olhando e percebendo o que eu
          digo
Calada, impassível, impossível
Sabendo que sob cada palavra vem uma
dose de desejo
Destilando a cada olhar a palavra que eu queria dela
escutar

Deitada,
mesmo sem querer
Sendo minha
Sempre sem saber
Que não sai da minha
cabeça

A cor da
pele
O pelo
Pelo que sempre busco
Pelas ruas em que nunca ando
Quando não estou com ela

Sem qualquer
métrica, sendo a máxima
A única
personificação pura do meu desejo
Sendo a única que me fez
Querer e ter
Num só momento

Sendo o que não sei ver
em outra
Apenas nela
É tudo: ela

Caldeira

Velório

Vamos lá, sepultar tudo o que ficou e já não volta. Vamos colocar fim nas lágrimas malbaratadas, vamos economizar palavras que não refletem a sinceridade. Vamos jogar fora toda roupa não usada, vamos gritar bem alto que aqui estamos para o enterro.
Por arremate vamos enterrar tudo o que foi feito levianamente, vamos colocar um fim nos dramas elaborados por situações que mais tarde descobrimos serem inventivas.
Quero registrar aqui e agora que me fere a ausência da verdade, quero dizer que julguei errado, que acreditei mais do que deveria e me maltratei por isso. Quero que se ponha fim no picadeiro que alguém armou e que me sobrou o papel do cão amestrado.
Anseio que se queime a culpa, o remorso e todas as tolices sentidas em prol de uma ilusão. Perdemos o juízo, a razão e a generosidade, colocamos a cabeça a premio e esperamos que alguém nos arrematasse.
Desejo que o cenário mude, que os personagens se encontrem e esta é a coisa mais honesta dos últimos tempos... quero mesmo que se coloque fim pra que haja progresso. Venha você comigo a dizer para aqueles que já não escutam, venha me ajudar a desenhar para aqueles que já não vêem, eu almejo um presente diferente, quero que os amigos voltem a ser amigos, quero que as pessoas sejam vistas exatamente como são (que não sejam glorificadas pelo mérito que não tem e nem que sejam desprezadas pelas qualidades que lhe faltam).
Este é o meu protesto em busca da veracidade na sua face maior
Ana Fenner